sexta-feira, 8 de agosto de 2014

unattached

Aquele cara!

Desde que nasceu, ele simplesmente não se sentia parte de nada. Não conseguia se identificar com nenhum grupo que cruzava o caminho.

Não foi programado pela família e, talvez por isso, não se achava parte dela.

Não tentou ser filho, nem irmão, nem amigo. A grande preocupação dele não era assumir os papéis, mas encontrar as respostas. Era tão perdido que pular três vezes estava fora de cogitação.

Ele talvez tenha tentado pular mais do que devia e acabou encontrando muito de si e pouco do resto.

Só que quando se achou, finalmente, se achou diferente. Viu que não se encaixava em nada que o rodeava. Se sentiu sozinho e desapegado, e foi assim que aprendeu a se sentir confortável.

Não importava quem se aproximava, sempre se via de fora. Com o tempo, ao invés de tentar se encaixar, tentou individualizar as relações e nunca mais conseguiu se relacionar com grupos, apenas com pessoas. E em cada uma delas tentava encontrar um pouco de si e dar o máximo que pudesse, para se sentir útil e parte de alguma coisa.

Sem planos nem fronteiras, ele apenas seguiu em frente permeando tudo que tocava sem nunca se prender.

Um dia decidiu morrer. As pessoas não choraram, apenas lembravam dos poucos momentos que valeram a pena e sorriam de canto, enquanto outras sentiam alívio pelo término daquele corpo estranho à tudo.

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