sexta-feira, 4 de julho de 2014

Single Path

Ela olhou para o momento e travou. Ela queria ter controle e precisava de coisas previsíveis. Sempre foi assim, caminhava devagar e gritava para afastar qualquer perigo oportunista. As pessoas ficavam de longe, muitas admiravam... Algumas poucas se aproximavam, só que quase sempre acabavam surdas. Ela tinha controle.

Até que um dia ele apareceu, na mão o bastão cinza e nos ouvidos os fones azuis. Ele era feliz e ria sincero. Se aproximou dela sem dificuldade, fez ela se calar e perder o controle. Ele podia ter ido onde quisesse, mas preferiu ir ali onde ela estava. Deu para ela alguns instantes e ela sentiu liberdade. Porém, na liberdade ela sentiu medo. Voltou a gritar e agora mais alto, talvez para afastar os próximos, talvez para chamar de volta o controle perdido. Ele viu que ela era de papel e ele era de água, decidiu então partir.

No final era tudo que ela sabia. Seguir um caminho único e nunca se desviar dele. Ir em frente sem nunca olhar para dentro. Sempre certa e sem remorso, nem tão insegura, nem tão feliz.

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