domingo, 13 de julho de 2014

motion sickness

A maldita satisfação que extrapola a satisfação, que de tão grande se torna pesada. O estômago se contorce pedindo descanso, ameaçando jogar de volta tudo que ele tenta guardar.

É tanta satisfação que é quase o fim de algo sem fim. Falta de vontade de qualquer coisa, até de ter falta de vontade. Aparece um cansaço maldito e até descansar é cansativo.

O problema é quando tudo deixa de ser um problema e nada mais importa nada mais.

Essa satisfação, na verdade, é uma dor tão disfarçada que as pessoas costumam conseguir carregar por muito tempo, sem perceber. Só que sendo dor, ela priva os outros sentidos e reduz tudo a ela mesma e o que resta é apenas o resto de uma divisão inteira.

O problema é quando só existe um problema, insolucionável.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Single Path

Ela olhou para o momento e travou. Ela queria ter controle e precisava de coisas previsíveis. Sempre foi assim, caminhava devagar e gritava para afastar qualquer perigo oportunista. As pessoas ficavam de longe, muitas admiravam... Algumas poucas se aproximavam, só que quase sempre acabavam surdas. Ela tinha controle.

Até que um dia ele apareceu, na mão o bastão cinza e nos ouvidos os fones azuis. Ele era feliz e ria sincero. Se aproximou dela sem dificuldade, fez ela se calar e perder o controle. Ele podia ter ido onde quisesse, mas preferiu ir ali onde ela estava. Deu para ela alguns instantes e ela sentiu liberdade. Porém, na liberdade ela sentiu medo. Voltou a gritar e agora mais alto, talvez para afastar os próximos, talvez para chamar de volta o controle perdido. Ele viu que ela era de papel e ele era de água, decidiu então partir.

No final era tudo que ela sabia. Seguir um caminho único e nunca se desviar dele. Ir em frente sem nunca olhar para dentro. Sempre certa e sem remorso, nem tão insegura, nem tão feliz.