sábado, 27 de outubro de 2012

the actual picture

Estava pensando na minha situação atual, e como eu estou insatisfeito com meu presente. Hoje eu tenho 25 anos de idade, trabalho em uma empresa comum de software, ainda não sou formado no curso superior que escolhi e ainda não tenho estabilidade financeira.

Quando eu era novo, eu gostava de tantas coisas e tão variadas que, de alguma forma, eu acreditava que quando eu ficasse mais velho eu seria muito destro em tudo aquilo e o futuro estaria garantido.
Foi frustrante quando eu percebi que você tem que fazer escolhas, conforme o tempo passa, que traçam um caminho único. E não importa quantos futuros possíveis eu tenha, quando todos chegam no presente, eles se tornam um passado só.

Eu esperava ter conseguido muito mais, eu esperava ser mais. Faz muito tempo desde que eu saí do ensino médio e até agora eu nunca tentei nada de verdade.
Foi muito tempo melhorando e me preparando pra começar, sem nunca ter começado. Eu nunca criei nada, nem tentei nada, tudo que eu faço é continuar melhorando. Eu melhoro a cada dia, e isso me faz acreditar que ainda não estou pronto. Sempre sinto que falta muito pra aprender e que ainda não é a hora de quebrar a inércia do começo.

Essa preparação toda me parece tão cara hoje! Eu perdi muito tempo acumulando habilidades e adiando tentativas. Mesmo postar nesse blog, algo tão simples, eu adiei inúmeras vezes, apaguei vários textos prontos, pelo simples fato de acreditar que eu podia fazer melhor uma outra hora. Vai assim pra tudo quanto é idéia ou projeto pessoal. O fato de começar a estudar pra realiza-los, me faz estudar sempre mais do que o necessário, aprender mais e ver que talvez ainda não seja o momento de começar.
Hoje foi um dia triste. Percebi que eu devia já ter tentado faz tempo, já devia ter alguma coisa pra me permitir tentar coisas maiores.

No final, é bem provável que essa insegurança nas minhas próprias habilidades faça de mim apenas outra pessoa que senta, trabalha, envelhece, morre e some da lembrança.
Vejo vocês no esquecimento.

sábado, 23 de junho de 2012

Unstoppable

Faz bastante tempo que qualquer plano que eu faço cai no buraco da rua. Se, algum dia, alguém distraído cair por lá, morrerá afogado em tanta projeção de futuro jogada fora.

Você vive me dizendo que isso não passa do meu olhar pessimista, mas já vi em seu rosto, diversas vezes, o semblante do acordo.

Tanta expectativa rompida me drena as forças, meu braço fica preguiçoso, minhas pernas não sustentam. Pior que isso, é o coração, que trabalha dolorido, e a garganta, que encolhe de tristeza.

Você vive me dizendo que eu não descanso. Mas olha só pra mim! Olha e me diz se eu posso parar, confiar em alguém, receber meu conforto e minhas merecidas férias. Passei todo o tempo lutando, para finalmente descobrir que na verdade nem guerreiro eu sou. Passei toda luta tentando um lugar para levantar acampamento, para finalmente descobrir que toda essa luta foi para proteger os acampamentos dos outros.

Quando é que existirá alguém capaz de cuidar do meu cansaço e da minha carência. Eu deveria descançar e resolver esses problemas eu mesmo. Mas não agora. Agora nunca é o momento certo.

Eu não fui feito pra viver assim, só que é o único jeito que sei viver. Não dá para desaprender algo que passei uma vida repetindo. O que resta é continuar fazendo e ser um andarilho que não pára para nada.

A pior parte é ter que aceitar que é assim. Que tudo que eu gostaria que fosse, na verdade não é. E ter que concordar com a própria mente que diz isso, apesar de toda força ainda restante pra lutar contra.

Mentira, a pior parte é ter que aceitar que as pessoas não são o que eu espero delas. Elas são o vazio, a muralha e a espada. Elas não tem para repartir, nem portão para permitir e apenas metal para acariciar.