quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Caminhos...

Existia um homem.

Há algum tempo, o que o movia era o desejo do melhor, de alcançar o inalcançável, de atingir o limite. Ele queria explorar seu potencial e descobrir, de fato, onde esbarraria em um obstáculo tão grande que mesmo dar a volta levaria mais que uma vida.

Ele acreditava que o único limite era o da mente. A crença no intransponível apresentava-se como o alimentador de todos os outros obstáculos.

Correu com toda a velocidade, queimando músculo, sangue e vida pra encontrar o fim de todas as capacidades. Queria tocar o ponto final de todas as vertentes e, quem sabe, ver que todas são como veias que se perdem em meio ao corpo pra nutrir o todo que as mantém.

Tudo que conseguiu foi se encontrar em meio a uma nuvem líquida imensa que delimitava nada de coisa alguma. Por mais que cada movimento representasse o conceito comum de seguir em frente, ele, por si só, não se sentia avançando nem regredindo, e aos poucos passou a sentir nada. Se misturou com a nuvem e percebeu que para todos os lados que fosse, iria de alguma forma para a superfície, mas que por mais que nadasse, a superfície não se aproximava nunca como se toda a imensidão se movesse junto com ele, num deslocar sistemático como um balé de equilíbrio.

De repente, a corrida terminou no mesmo instante do barulho do tiro de largada. O sangue chegava e partia em ciclo perfeito e complementar. O tempo não era uma linha e nada tinha delimitação. A mesma essência estava em tudo e nele mesmo.

Ele então sentiu. Era parte do todo e não existia motivo para medo. Não havia necessidade de coisa alguma. Só queria entender o todo e se entender com isso. A única coisa que queria era viver o que ele era e toda aquela nuvem da qual fazia parte.

No final, pouco antes de se perder no infinito, percebeu que seu limite era exatamente a única coisa que acreditava ilimitada. Ele nunca entenderia de verdade, mas aceitava sua condição e estava tudo bem assim. Finalmente, seus átomos se separaram e se espalharam por aí, entoando o último canto e ao mesmo tempo o canto de boas vindas.


2 comentários:

  1. Não, não quero fazer uma análise.
    Mas reli o texto, sem estar fazendo bombom, prestando a mesma atenção de antes (da outra vez eu prestei atenção sim), e só consigo pensar em subida.
    Faz total sentido pra mim, e por mais que você diga que não, algo lá no fundo me faz acreditar que ela te serviu de inspiração...
    o/

    ResponderExcluir
  2. Nossa, que bunito! :)

    oq vc tomou?! dá pra mim um poco!? :D

    ResponderExcluir