sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Capítulo 1: Projeções - II. Dos Novos Seres

(originalmente postado em 2008-outubro-30: fotolog e intitulado "Perpétuos")

II. Dos Novos Seres

Da primeira vez que sofri e senti meu corpo se destruindo sem ferida qualquer em sua carne, dei meu tempo e aprendi.

Impressionante foram as vezes que isso se repetiu e as coisas para as quais cresci. Em certo ponto, lembro-me de ter parado, olhado para trás e desejado ter sabido tudo aquilo um pouco antes e sido uma pessoa melhor. Nunca me iludi que isso aconteceria, mas quis ter um filho pra ensinar tudo que eu aprendi e fazer dele a pessoa que um dia eu quis ser.

Imaginei uma homem muito melhor que seria e faria tudo que eu mesmo não consegui.

Quando me tornei um pouco mais velho, percebi o egoísmo do meu pensamento. Um mero desejo de ter uma vida nas mãos e fazer com ela o que bem entendesse, não me importando realmente com o que esse novo ser quereria.

Uma tentativa de dar continuidade aos próprios desejos e de alguma forma permanecer vivo.

As boas relações com o próximo nos fazem perpétuos, e não esse egoísmo em gerar pequenos seres que devem ser de alguma forma nossa continuação; nos quais buscamos provas de ter passado adiante nossos dados genéticos (tentando achar as semelhanças pais-e-filhos).

Não contentes, ainda tentamos dizê-los o que fazer, quando poucos são os capazes de afirmar o que fazer com a própria vida sem serem medíocres.

Não aceito continuar esse ciclo só porque um dia me disseram que é assim que deve ser; ouso ir contra a natureza nesse sentido, por toda deturpação que o homem fez dela.

Contudo, mais porque ainda não me considero suficientemente grande ao ponto de atuar o papel de pai como acredito que deve ser feito, e ainda duvido ser capaz disso em apenas uma vida pelo sentimento de liberdade que grita dentro de mim.

Capítulo 1: Projeções - I. Da Música

(originalmente postado em 2008-setembro-27: fotolog e intitulado "Music")

I. Da Música

Só procuro por paz de espírito.

Espero não morrer agora, quando ainda tenho tanto pra aprimorar.

Se me perguntassem, nesse momento, o que pretendo com tudo isso, falaria um simples "não sei" com um sorriso no rosto, despreocupado.

Tudo isso é apenas uma forma de externalizar o bem que eu sinto, que gostaria de compartilhar, e quem sabe, um dia, deixar marcado no tempo para todos.

Então, enquanto ainda sou incapaz, procuro aprimorar até o ponto em que minhas limitações sejam apenas as da minha criatividade.
Esperando por esse tempo, me abrigo nas obras dos outros, que confortam meu espírito e me deixam acreditar.

Não quero de nenhuma forma atingir a genialidade ou a fama.
Também nunca me preocupou de verdade o que os "outros" vão dizer.

Mas, se ao menos alguém me ouvir e parar por alguns segundos, encontrando algo diferente dentro de si mesmo, em qualquer ponto do futuro, então retribuirei o que todos os criadores fizeram comigo.

Só espero não morrer agora, nem me tornar pretencioso.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Prólogo III: Ininterrupto

(originalmente postado em 2008-novembro-01: fotolog e intitulado da mesma maneira)

Quando me diz, afinal, cada uma dessas palavras que me iludem, e que me deixo iludir por sempre acreditar no melhor, às vezes enxergo esse veneno destilado quase sempre sem maldade, ou com essa maldade ingênua.

Acordo pra esse tempo, que não cessa, como o coração que não descansa desde o momento em que nasce até o momento em que dorme para sempre, nas férias eternas.

E vendo isso, afirmo com toda certeza, que pelo menos nos últimos cinco anos que vivi, cada 365 dias passados valeu como uma vida toda. Tamanha experiência que consegui acumular, nem sempre boa, contudo nunca realmente ruim a ponto de apodrecer a alma que aqui habita.

Continua tão incessante e incansável, mergulhando tudo para cada vez mais fundo que, não fosse pelos pontos marcados que ainda consigo ler ou lembrar de coração, teriam se perdido como tantas pequenas ações que há muito naufragaram.

Continua ainda, e põe no meu alcance de visão o infinito que ainda resta passar por mim.

Rio, às vezes, de alguns fatos consumados e de algumas ironias dilacerantes. Rio, quase sempre, do juiz cruel ser na verdade quem mais me fez bandido; de ver no criador a face que mais precisa de cuidados; e, por fim, de ver em mim mesmo a mudança que beira a descaracterização do meu personagem no tear dessa história.

As únicas palavras que ainda repito: "NÃO ESQUECER!". Delas me lembro sempre, e de vez em quando as falo em voz alta, difícil é lembrar o que o conselho delas tenta preservar.

Mas, quando finalmente consigo ver todos os caminhos que percorri, por completo, ao mesmo tempo, não consigo sentir outra coisa senão felicidade e satisfação.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Prólogo II: Devaneio Perdido

(originalmente postado em 2008-out-08: fotolog e intitulado "Walking")

Por toda tristeza, amava de menos.
Pelas inúmeras quedas, temia demais,
Pela repetição, envelheceu mais rápido.

Por ser caridoso, não tinha mais tempo.
e todos que esperavam, se decepcionavam.

De todo dinheiro guardado, fez desejos com cada centavo.
Com todo seu sono, o café era de menos.

Com pressa, as pernas se ultrapassavam...
Mas nada nem ninguém se importava.

De toda corrida, conquistou seu último lugar.
Da sua bondade, sobrou quase nada.
De cada gota que descia, uma era de sangue.
De cada gota que sorvia, nenhuma aproveitada.

Nenhum dos golpes despendidos acertou.

De cada sorriso, um era falso.
A cada minuto, um choro escondido.
A cada pessoa, uma era agradada...
A cada amigo, um era perdido.

E quando nenhum dos golpes recebidos errou,

Sob um sol forte,
sem deixar vestígios,
solitário, morreu.

Prólogo: Foto Mental

(postado originalmente em 2007-nov-07: fotolog e intitulado "No Worries")

Às vezes, quando já é tarde da noite e eu ainda estou acordado, parece que o mundo todo é familiar.

No silêncio, quando todos descansam.

Abro a janela e não há ninguém na rua. Alguns carros e a luz dos alarmes piscando, os postes e o mar.

Fico na sala sozinho, ouvindo o barulho do mar, no escuro - que nem é tão escuro pois há luz na rua.

o vento forte que entra e balança a cortina. Eu não consigo ir dormir, porque naquele momento, em que tudo desanda e fica mais calmo, eu consigo ouvir meus pensamentos. E mesmo que logo pela manhã hajam tantas coisas pra fazer, responsabilidades pra cumprir, não importa muito. Porque nesse momento eu já cumpri tudo que o dia me impôs. Acabou, passou. Estudei, trabalhei, corri, treinei. Passou, e finalmente posso sentar com calma.

Eu não estou ali na sala, nem na casa, nem na cidade. E logo estou de novo. Passo pelas janelas e posso entrar em qualquer outra, de qualquer prédio, de qualquer andar.

Tudo parece perto. Tudo parece certo.

E enquanto eu fico divagando e saboreando cada minuto lentamente, lutando contra o sono, eu estou bem.

Nesses dias que eu não durmo quando minha cama chama. Nesses dias que não há nenhum barulho na rua. Nesse dia familiar.

Índice: abertura

Quanto mais agora que quero escrever, e mais, reescrever.
Então, a princípio, vão os textos antigos... Futuramente, os que serão novos.

O índice se resumirá em:
1. Passado
2. Presente
3. Presente para Passado
4. Presente, repete o ciclo

Teoricamente infinito, pelo menos enquanto eu durar, ou durar minha vontade.